A institucionalização da igreja: o risco da ocupação
A institucionalização da igreja nos fornece a sensação de serviço, faz parecer que estamos gastando nossa vida em favor do Evangelho. Você deve ter participado de vários momentos como este: reunimos a liderança da igreja ou do ministério e passamos a planejar atividades, distribuir tarefas e desenhar um planejamento anual focado em eventos.
Ao longo do processo algumas pessoas desanimam, o líder chega junto com uma palavra de motivação, encorajamento e um pouco de bajulação "vamos lá, você é tão importante!". O ano vai passando e vamos nos ocupando de resolver os imprevistos, tapando uns buracos, realizando confraternizações a cada etapa vencida, a cada congresso finalizado, a cada atividade que deu certo. Planejamos reuniões de feedback com nossa equipe, conversamos sobre os "pontos negativos" do ministério e definimos quais pontos de melhoria daremos mais foco nos próximos meses. Incentivamos cada vez mais a participação nos cultos de juventude, lutamos para engajar as pessoas no grupo de teatro, de dança, de mídias, no louvor, na direção... afinal, "ninguém pode ficar parado na casa de Deus".
Evento após evento vamos sentindo falta dos visitantes que sempre são bem poucos, isto é quando os há. Reunimos a equipe de novo, falamos sobre a equipe de introdução, planejamos ações para melhorar a recepção na igreja e, agora, com as redes sociais, sempre surge o empolgado das mídias dando ideia de "fazer um post para o Instagram", "melhor um vídeo porque performa melhor". Então, vamos para o ataque! Incentivamos todo mundo da igreja a compartilhar o post e avisar na sua bolha que "vai ter culto jovem no próximo sábado".
Semana após semana os pastores e líderes seguem avaliando as métricas das redes sociais, avaliando a equipe, fazendo conta de quantas pessoas apareceram e porque não há mais gente nos eventos. Também se questionam sobre a pouca maturidade da equipe e por qual motivo as pessoas sempre estão emburradas e alfinetando umas as outras.
Porém, apesar das programações animadas, com bateria e palmas no louvor, apesar das mensagens curtas, simplificadas e com aplicações diretas do texto bíblico, apesar dos brindes distribuídos, apesar do ar condicionado da igreja, apesar de tudo de melhor que fazem, eles não veem resultado.
A institucionalização da igreja lança a gente na roda viva dos eventos e nos rouba tempo e energia para fazer o que importa fazer. A igreja de Cristo tem um árduo trabalho a executar, mas nossas programações internas impedem que estejamos empenhados em fazer o que precisamos fazer.
Estamos tão ocupados promovendo eventos e atividades que nem paramos para questionar porquê apesar de tantos anos de conversão não temos clareza ainda sobre nosso dom espiritual, nem sobre nossa vocação particular, nem estamos muito certos sobre o que é a missão da Igreja no mundo.
Estamos ocupados demais para mergulhar no estudo sério e disciplinado da Bíblia. Apesar de envolvidos até o pescoço com os eventos da igreja local, continuamos inseguros demais para evangelizar e discipular nossos amigos, familiares e colegas de trabalho. Ora, não deveríamos sair dos encontros da igreja ainda mais firmes e convictos da nossa fé? Saímos cansados, embora felizes, mas despreparados para lançar a semente do Evangelho ao longo do caminho.
Planejamos eventos para nós e com muito esforço e raridade, para os outros, para o bairro, para as pessoas com quem desejamos compartilhar nossa fé. Por um passe de mágica esperamos que elas simplesmente apareçam na igreja e queiram fazer parte do nosso grupinho. Esperamos que nossos eventos internos de alguma maneira atraia a atenção dos pedestres e confiamos nas redes sociais para entregar o convite à igreja que deveria sair da nossa boca. Esperamos que as pessoas se animem com o fato de sermos muito ocupados com a igreja local e queiram fazer parte disso também.
Não penso que seja por aí.
É a beleza da vida com Cristo que testemunha ao mundo sobre quem Ele é e atrai as pessoas a Jesus. O encontro comunitário deve lançar e engajar o homem na vida real, potencializando sua capacidade criativa para agir no mundo e abençoar sua comunidade a partir de quem ele e do que sabe fazer. A vida em comunidade deve nos lançar para fora com vigor, injetando ânimo na gente para dar continuidade à missão de sermos testemunhas do reinado de Deus sobre a Terra.
🙌🏽🙏🏼
ResponderExcluir👏👏
ResponderExcluirQue texto mais necessário. Tem sido dias complicados de ser verdadeiramente igreja, de viver o evangelho da forma simples, sem ter que buscar "espetáculos" para atrair pessoas.
ResponderExcluir