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Mostrando postagens de março, 2020

Quarentena Dia Quatro

Eu me lembro de quando me converti. Tinha 9 anos e a lição da salinha de Escola Bíblica era sobre a morte de Jesus. Ouvi toda a lição, participei do culto dos adultos naquela manhã e voltei para casa com minha mãe e irmãos. Almoçamos juntos naquele dia, como todo bom domingo em família deve ser. A tarde estava no meu quarto sozinha, como de costume também, meus pais no quarto deles. Fui até lá, angustiada, triste, arrasada. Sentei na beira da cama e comecei a dizer "hoje eu me converti". Eu lembro de tentar engolir o choro enquanto contava para eles sobre minha decisão naquela manhã, um tanto envergonhada por já ser tão grande (9 anos e me achava gente grande!) e só agora ter tomado aquela decisão. Mas é que, eu contava, naquele dia tinha entendido o que Jesus havia feito naquela cruz. Era como se eu tivesse quebrado um objeto importante em casa e posto a culpa no meu irmão do meio, ele ia apanhar no meu lugar e aquilo não era justo. Eu pequei diante de Deus, não era justo ...

Vilamonte sitiada

## texto um para disciplina de graduação ## T ota de chuva sobre meu ombro parecia pedra pontuda escavando uma ferida em carne viva. A visão ficando cada passo mais turva, entre um passo e outro uma quase queda sobre os próprios tornozelos desertores. Se pendesse para um lado cairia sobre os espinhos de 5cm de altura, se pendesse para o outro ficaria às vistas demais de quem passasse pela clareira, gente ou bicho; coisas que às vezes parecem a mesma coisa. Ordenei a cada célula do meu corpo que convocasse toda reserva de suas energias mitocondriais porque tão logo chegaríamos a um lugar seguro. Então, pendi para a esquerda e senti minha nuca arder. Vilamonte foi sitiada há 100 anos, a riqueza material foi toda recuperada no passar de uma geração, mas a memória coletiva manteve viva as imagens do conflito. Uma fogueira de quatro metros de altura foi erguida no centro da cidade. Homens e mulheres a partir dos 12 anos despendem diariamente parte de seu tempo para manter acesa as cham...

Coragem

A gente precisa de coragem para um monte de coisa. Hoje vou escrever sobre a coragem para começar de novo. Na última segunda-feira estava esperando minha mãe resolver uma pendência - inicialmente breve - em um dos escritórios do seminário onde estudou. Enquanto aguardava por ela na área externa, fiquei de pé reparando o céu sem estrela bem próximo a sala de piano onde alguém ensaiava uma partitura. Ouvia as idas e vindas, as repetições das partes onde houve erro de execução, as tantas tentativas, de novo e de novo até ficar bom, até ficar fluido, até ficar bonito e seguro. Me lembrei de como costumava ficar irritada quando precisava repetir a mesma série várias e várias vezes quando estudava teclado. Era uma coisa que me irritava na música, eu não conseguia pegar logo de primeira, nem de terceira ou de quinta, precisava estudar a mesma partitura durante dias até realmente conseguir executá-la. A faculdade de Administração me deixou  ainda mais impaciente com as falhas. Uma das disc...