Aniversários calados
Hoje o silêncio está fazendo aniversário Por trás das cortinas acontece o espetáculo Da vida que não vejo, encontros trapaceiros Distância que milita contra minha paz Mantenho os pés rentes ao plano O coração só pudera na mão E despejo esperança num pranto de longa oração Calo a angústia, agonia profunda Atravessando ao meio de mim Estou segura Sempre sei que é assim Desde menina quando aprendi Cantarolo canção de ninar Há verdades no mundo visto Todo dia teimo lembrar Hoje o silêncio faz aniversário Encaro o calendário e reafirmo aqui Melhor um peito mole atravessado Que um peito duro sem desenho Prefiro sentir a não sentir Ainda que sinta dita distância Ao meio me partir Sempre posso me refazer Há uma fonte de retalhos perfeitos Que me persegue, que me acha, Me faz de novo Nova, sem mancha, sem defeito