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Mostrando postagens de março, 2019

Umas crônicas de avião

Meu olhos estavam pesados e o mau humor já presente àquela altura do dia, melhor dizendo, da noite. Corredor estreito, fila lenta demais, umas gentes simpáticas de riso dado; desculpe, estou sem forças até para simpatia. Músculos doloridos, pés quase sem descanso, cheios de bolhas horrendas. Vai ter comida? Será que demora? Não dorme, espera a comida . Sou lembrada da minha própria lembrança. Te desejo amigos que gostem de comida. Língua cansada, enrolada e guardada dentro da boca preguiçosa. Aceno com a cabeça lenta e tracejo uma linha nos lábios unidos para responder ao que chamo de sorriso. Sinto o sono me abraçar pela cintura e fazer minha cabeça encostar em seu ombro. A barriga reclama e uma criança conversa. Espero. Isso me lembra distância. Estava alheia a isso até agora. Agora sinto desconforto nessa cadeira confortável e minha fome sumiu debaixo do lanche bonzinho. Agora só há falta e até que haja presença haverá falta. Faltas não matam, mantém olhos sonolentos abertos e esper...

São tempos de revolução. É necessário ser mulher.

Escrevo esse texto enquanto a professora faz a chamada, sua voz lenta e suas palavras espaçadas, são como soníferos na minha cabeça desacostumada a estudar no período da tarde. O texto que agora digito primeiro foi pensado, enquanto viajava do centro da cidade até a cidade universitária no início da tarde de hoje. O ônibus lotado, como de costume, foi palco de três atos de revolução social. Já conto. Há uma senhora com uma tosse seca atrás de mim, ela bem que tenta mas não para de tossir. Um rapaz oferece sua garrafa de água, ela aceita e alivia a garganta irritada. Umas paradas depois, o rapaz espremido entre humanos e a porta do meio, segura firme a mão de uma senhora bem idosa que tenta descer as escadas o mais rápido possível. Na próxima parada, uma cadeira fica vaga, outro rapaz, próximo a mim, oferece o assento, eu digo 'não, obrigada!' e só então ele ocupa a vaga. Não que estivesse confortável em pé, mas passaria as próximas 6h sentada - não fosse pela crise de gargant...