Umas crônicas de avião
Meu olhos estavam pesados e o mau humor já presente àquela altura do dia, melhor dizendo, da noite. Corredor estreito, fila lenta demais, umas gentes simpáticas de riso dado; desculpe, estou sem forças até para simpatia. Músculos doloridos, pés quase sem descanso, cheios de bolhas horrendas. Vai ter comida? Será que demora? Não dorme, espera a comida . Sou lembrada da minha própria lembrança. Te desejo amigos que gostem de comida. Língua cansada, enrolada e guardada dentro da boca preguiçosa. Aceno com a cabeça lenta e tracejo uma linha nos lábios unidos para responder ao que chamo de sorriso. Sinto o sono me abraçar pela cintura e fazer minha cabeça encostar em seu ombro. A barriga reclama e uma criança conversa. Espero. Isso me lembra distância. Estava alheia a isso até agora. Agora sinto desconforto nessa cadeira confortável e minha fome sumiu debaixo do lanche bonzinho. Agora só há falta e até que haja presença haverá falta. Faltas não matam, mantém olhos sonolentos abertos e esper...