Você precisa para de fugir do trabalho (parte 1)

Há algo que pouco se fala no meio evangélico quando o assunto é "vocação missionária". E por muitos anos, até hoje, enfrento a questão em oração, leitura bíblica e estudo. Enfrento porque me toca e me doi. 

Não é sempre assim?

A clara distinção feita entre "trabalho" e "vocação" tem gerado um perfil de "vocacionados" confusos e imaturos. São pessoas que sentem uma dificuldade imensa de ter uma rotina simples, dias repetitivos e uma história comum para contar. Enquanto o "trabalho" normal e cotidiano parece banal e perda de tempo, a vida do "vocacionado" parece cheia de significado e emoção. Para quem tem "chamado", o "trabalho" é apenas uma fase, um meio, um atrapalho, uma distração.

Ora, ora.

Lembro-me agora, enquanto escrevo, do Deus jardineiro. Quando criança e adolescente amava lembrar que Deus foi o primeiro jardineiro do mundo. E, a menos que sua imaginação prefira te convencer que Deus criou tudo em um piscar de olhos, sem muito "trabalho", sem muito pensar, sem muito esforço, eu gosto de imaginar o esforço criativo dEle pintando ao som de palavras cada cor e tom, cada forma, cada traço, cada detalhe do jardim. Deus começou seu jardim e concluiu sua obra, com disciplina, criatividade e, por fim, sentiu o prazer da contemplação.

O trabalho, para Deus, nunca foi um atrapalho ou distração. Foi o transbordar dEle mesmo. Ele construiu um palco para Sua história de Redenção... trabalhando.

A distinção entre ser "vocacionado" e só ser um "membro de igreja", tem levado a rodo pessoas que lutam com questões como a preguiça e a indisciplina a acreditarem em uma espécie de "chamado" com pouco custo. Ela creem em suas atividades recreativas como "dons" ou "talentos" e não conseguem se lembrar da maestria dos homens e mulheres de Deus em executarem com primor suas atividades; seja nas artes, no ensino, na casa ou na política. Elas creem na pouca disciplina e na incapacidade técnica, mas se afastam do suor do rosto. Elas veem um Cristo discursando no meio da multidão, mas nunca se lembram do pequeno Jesus, tão pequeno, tão moço, discutindo sobre o Antigo Testamento com os doutores da Lei. Elas se apegam ao que compreendem do estilo de vida do apóstolo Paulo, e se esquecem de sua trajetória intelectual de memorização e compreensão das Escrituras.

Os "vocacionados" devem ser primeiro bons trabalhadores.

Seja em qualquer tipo de trabalho que escolheram ter. Devem primeiro cultivar a disciplina, a ordem e a rotina. Devem cumprir horário e respeitar regras. Devem cuidar bem e fazer florescer a parte do mundo que lhes cabe. Devem aprender com Deus sobre trabalho e cultivo, só então, poderão servir a Noiva do Senhor.

Esse trabalho exige tudo de seu trabalhador.
Digna vocação é! Digno dela o obreiro precisa ser também.
Na seara de Jesus não há preguiçoso e indisciplinados, irmãos. Não há.


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