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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

Ano novo em 2019

Hoje completo 24 anos de existência nesse planeta bonito, repleto de bondade, mergulhado em graça, ornado por estrelas que enfeitam o céu noturno. Um planeta caótico também, por onde caminha gente confusa, multidão barulhenta, mentes inquietas, distantes da paz. A beleza, no entanto, supera as tragédias; e quanta tragédia há! Esse ano completo 15 anos do fatídico dia em que o caminhão da Graça de Deus chocou-se comigo, de frente e sem pena, aquela manhã de domingo quando o peso da minha culpa moral, real e objetiva fez-se sentir sobre meus ombros, quanta angústia e tormento! Porém, tão logo veio a angústia, depressa chegou a convicção do perdão, a vergonha da conta paga com a alegria da conta paga. Foi o dia em que me percebi completamente conhecida e querida pelo Único Bom. Também nesse ano, mais especificamente no mês anterior, completo exatos 10 anos daquela noite de acampamento, sem penumbra, sem música ao fundo, quando a Companhia Perfeita me convidou para andar, não como quem...

Minha criança

é que o amor às vezes dói, minha criança não por ser mau ou relaxado mas por não ser de natureza rasa de funda sua trajetória até assusta inquieta a paz da alma bagunça, refaz, desfaz até habita no profundo remexe os ares secretos não pode nunca conter seus tentáculos nem pode ser discreto tudo da superfície passa ninguém sente falta mas o amor ancora lá no fundo da alma fere chão onde finca garras tudo para nos dar segurança, segurança e morada o amor por vezes dói, minha criança mas é dor boa é sangue que corre mas sempre estanca e só doi porque é pedra rara de valor e de verdade espreita nosso tempo aparece só e somente só quando a ele mesmo apetece o amor é bicho indomável mas de caráter admirável anda com suas próprias pernas abrindo alas, fazendo sombra onde há amor há brisa e ventania é do tipo que fica dando-nos boa justificativa o que é falso, sempre passa o amor não o amor ancora na alma

Inícios

Inícios são péssimos. Um tanto dramáticos, esquisitos e desajeitados. Inícios são como uma roupa desconfortável. Você também os sente assim? São incertos e pouco previsíveis. É como tomar sorvete caminhando ao lado de um estranho. A gente não sabe se deve se concentrar no sorvete, nos passos à frente ou só em não se sujar completamente. A tensão daqueles minutos parecem durar uma vida! É como os primeiros dias em um emprego novo. Você não sabe se está rindo demais ou rindo de menos, se é pra ser muito simpático ou mais sisudo afim de causar boa impressão. É para falar com todo mundo logo de cara ou deixar que os contatos se deem de maneira natural com o passar o tempo (?). É a interrogação constante se o ritmo do trabalho está sendo suficiente, se está rápido demais ou se você é mais lento que a pessoa anterior no cargo. A combinação da euforia do novo com a ainda desconhecida objetividade e sistemática da nova rotina. Inícios são inquietantes mesmo. Podem ser confusos por não ...

Tragédias

Nessa dimensão onde existimos a tragédia não se faz rara. É diária, nos encontra, nos encurrala. É medonho e perturbador o inegável fato de termos de conviver com más notícias todos os dias. Embora esteja vividamente exposta, sem pretensão de esconder-se, ainda nos surpreendemos com elas, principalmente quando somos nós os protagonistas das más novas. "Por que comigo?" ainda nos perguntamos e sempre nos perguntaremos. "Por que com pessoas boas?" sempre será a interrogação posta sobre nossas cabeças diante de tragédias. Não são novas, nem invenções da modernidade. Antigas como a humanidade, a tragédia nos persegue. Não há história do homem sem a companhia constante, regular e incansável das tragédias. Lástima. Perseguidos pelo perigo de maus ocorridos e perseguidores de problemas, eis nosso caráter duplo. Plantamos más sementes, colhemos frutos podres, permanecemos capazes de nos surpreender com nossa colheita previamente anunciada. Não há um justo, nenhum sequer....

A quem amamos

Minhas entranhas o amam Meus olhos o perseguem Minhas mãos estão secas e não há o que possa satisfazê-las Não é essa sequidão pior que todas as outras? Autocondenação tal distância Saciedade mentirosa provo na sua ausência Não há provisão, não há provisão Desespero me cega e me quebra Sou ovelha entre espinhos Perdida e berrante Até na espinha sinto calafrio Sua ausência esmaga a esperança Culpa minha, total rebeldia Criatura desprovida de empatia Plantando morte onde podia brotar vida Berro e espero; me ouves? Já fui achada nos espinhos e na vergonha É sangue isso com que me lavas? Por que estás tão abatida, minha alma? Aquieta Tua paga já está completa Tuas vísceras contorciam na distância desatenta Mas já agora tens casa, tens paz Rende tua culpa ao perdão Aceita do Eterno a consolação Por que estás tão abatida, minha alma? Tens a Cristo Ele a tem Isso tem de ser suficiente Para alegria e para dor Para vida e para morte Alegre-se no colo do Se...