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Breves considerações sobre Paulo, o fazedor de tendas.

Se você é um cristão há pelo menos um ano em uma igreja que preza pela instrução bíblica, já teve tempo de conhecer Paulo e ter uma noção, pelo menos, da grande contribuição dele para a Igreja de Cristo. Você conheceu o fariseu conhecedor das Escrituras, o aluno de Gamaliel, o poliglota, o missionário ao mundo grego e ouviu falar da sua grande capacidade argumentativa. Você conhece o Paulo da doutrina, da conversão de tirar o fôlego, das viagens missionárias, dos açoites e perseguição. Conhece o Paulo da prisão, da alegria em meio a provação, o Paulo do zelo e do fervor. O Paulo que serviu a Cristo sofrendo com ele Suas dores. Então, num belo dia, como que do nada, você começa a ouvir sobre o Paulo fazedor de tendas. Aquela informação curta que te ajudou um dia a entender mais ou menos como funcionava o sustendo do apóstolo e seu sofrimento no campo missionário. Já agora, aquilo se apresenta quase como doutrina, como instrução e pasmem, como modelo de atuação ministerial para pastores ...

Não é o fim, é chegar em casa!

Até voltar ou me chamar Em Cristo eu vou permanecer  Aqueles que foram encontrados por Cristo receberam perdão. Quando digo "receberam perdão" não preciso complementar ou especificar; os perdoados conhecem do fundo de seus corações que o perdão é a realidade profunda capaz de superar sua condição, repito, condição de pecado. Não se trata de uma falha moral ou outra, aqui e acolá, mas de uma condição. Esse perdão consistente criou diante de seus uma nova realidade, abriu as cortinas da Criação e os fez ao redor, ver de verdade agora. Pelo perdão eles fazem parte da família de Deus e seus corações apesar de amarem tudo o que Deus fez do lado de cá da realidade, aquecem e anseiam por verem a casa eterna, incorruptível e livre do mal que existe lá onde ainda não podemos estar. Os perdoados vivem sedentos por Deus, apesar de sempre saciados nele. Experimentam da sua graça inesgotável, mas ainda esperam ansiosamente ver o Seu rosto, sentar à sua mesa e conhecê-lo tão bem quanto são...

Comportamento do consumidor satisfeito

A leitura dessa manhã foi no Salmo 63. Logo no início o salmista declara assim: "Minha alma tem sede de ti; todo o meu corpo anseia por ti nesta terra seca, exausta e sem água." Davi estava no deserto e todo o seu corpo anseia não por água, mas pelo Criador. Profunda dependência! Me paguei então pensando coisas assim: Se todos os homens vivessem em obediência e amor a Deus, ao invés de virarem as costas para Ele e para Sua Revelação, eu me pergunto: O que se venderia no shopping? Como seriam as campanhas de marketing? Como se faria propaganda de academia? Como se faria propaganda de loja de roupa, de produtos para casa, de carro, de margarina? Como seriam os publis? Que tipo de mercadoria as indústrias produziriam? Quais produtos seriam baratos e quais seriam mais caros? Considerando que os homens e mulheres estivessem satisfeitos em Deus, sedentos somente pela Sua presença, tendo como prática diária meditar na Lei do Senhor e louvar o Seu nome através de músicas, orações e a...

A monogamia em questão: surge cada coisa em rede social!

A primeira vez que lidei com um argumento favorável à poligamia, com ares científicos, foi no livro "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", de Friedrich Engels. É claro que do início ao fim achei aquele texto absurdo. Não porquê tinha capacidade acadêmica para rebater os argumentos ou conhecimento histórico para identificar quais partes eram pura fantasia e quais partes eram fruto de evidências coletadas. Não, nada disso. Há algo sobre a realidade que se impõe sobre a fantasia teórica: a realidade é o que é, é convincente por si mesma. Por isso, não é tão difícil para qualquer um viver de acordo com a realidade e pautar suas escolhas com base no bom senso. Pois bem. Este ano me deparei com a defesa da poligamia nas redes sociais. O argumento-chave sempre vem à reboque, é a tal da "liberdade". A ideia é que relacionamentos monogâmicos representam um tipo de opressão, de limitação da liberdade e de imposição de costumes restritos a um pequeno grupo ...

A institucionalização da igreja: o risco da ocupação

A institucionalização da igreja nos fornece a sensação de serviço, faz parecer que estamos gastando nossa vida em favor do Evangelho. Você deve ter participado de vários momentos como este: reunimos a liderança da igreja ou do ministério e passamos a planejar atividades, distribuir tarefas e desenhar um planejamento anual focado em eventos. Ao longo do processo algumas pessoas desanimam, o líder chega junto com uma palavra de motivação, encorajamento e um pouco de bajulação "vamos lá, você é tão importante!". O ano vai passando e vamos nos ocupando de resolver os imprevistos, tapando uns buracos, realizando confraternizações a cada etapa vencida, a cada congresso finalizado, a cada atividade que deu certo. Planejamos reuniões de feedback com nossa equipe, conversamos sobre os "pontos negativos" do ministério e definimos quais pontos de melhoria daremos mais foco nos próximos meses. Incentivamos cada vez mais a participação nos cultos de juventude, lutamos para engaj...

Alegria na obediência: minha experiência com a igreja local

Alegrei-me quando disseram: "vamos à casa do Senhor" Salmo 122:1 Esse verso aprendi como um hino quando era criança e frequentava uma igreja batista tradicional bem conhecida em Recife. Lá cresci, submeti minha vida ao Soberano Senhor Jesus e tive os melhores anos de minha formação bíblica. Minha mãe costumava cantar o hino aos domingos, era a música de "vamos acordar? tem EBD hoje!". Como filha de um casal de ministros, essa música deveria encher meu coração de convicção e alegria, no entanto, acordar cedo aos domingos, passar a manhã inteira na igreja, chegar em casa lá perto das 13h, não era meu cenário feliz dominical ideal. Eu ia emburrada mesmo, na maioria das vezes, com má vontade, preguiça e sono. Nem mesmo depois da conversão e de experiências pessoais com o Senhor, ir à igreja despertava em mim o tipo de sentimento que o salmista descreve ao pensar em ir à Jerusalém, o lugar da habitação do Senhor, louvar a Deus em comunidade e com espírito de gratidão. Le...

Sobre riqueza, trabalho e dízimo (parte 1)

Quando estava no fundamental I comecei a vender bijouteria. Havia uma lojinha uns dez minutos de distância à pé da minha casa que vendia vários tipos de miçanga e outros materiais de montagem, minha mãe ia comigo, ajudava a escolher as peças e pagava por tudo, é claro. Valeu, mãe! Naquele período, gastava algumas horas das minhas tardes sentada no chão cinza do quarto, montando pulseiras; eu amava montar pulseiras e colares. Embalava cada peça, algumas eram conjuntos, precificava e aguardava o outro dia de manhã para vender na escola. Todas as peças eram feitas com nylon mesmo, arrematadas com um nó nas pontas. Meu objetivo de médio prazo era evoluir as peças, comprar um alicate e começar a trabalhar com fechos melhores. Vender era a parte ruim. Tinha vergonha demais. Custava muito apresentar os produtos na coordenação e para as professoras - o público mais endinheirado - mas ainda conseguia vender uma peça ou outra para elas. Vendia mais para as amigas próximas mesmo e voltava feliz ...