Carta
17 de Dezembro às 6:04h Não se engane, até eu me perguntava se era possível tal infortúnio. Contos bobos de gente desocupada, era o que sempre me pareceu. Até ser também tragada. E a esse monstro que mais acalenta que assombra devo todos os sonetos, todos os versos, todos os sonhos. Devo o mais querido pensamento forjado em alta madrugada por um coração apaixonado 17 de Dezembro às 6:28h Não pense que é sem pensar nem pesar que traduzo em letras a inquietação que se abate sobre a alma. Então, suplico: piedade! Suplico piedade em apressar-se na resposta. Na resposta, no julgamento, no desdém. Piedade ao dizer "não é possível haver". Pensando mais um pouco, talvez, até pode ser, que... quem sabe, haveria de ser, um dia. Se puder. Pense bem. Sinta melhor. Pondere tudo. Mas se ao ponderar ainda não puder ser, bem, pondere ainda melhor 17 de Dezembro às 8:32h Não é sem temor que ponho meu rei frente à sua rainha num tabuleiro vazio. Resta orar aos céus. Talvez a rainha ...