Crônica de praia
Um dia quente, como todo dia é em Recife. Era folga de um ano pouco corrido do lado de fora e agitado, ansioso, nervoso, imparável, na minha mente inquieta e teimosamente preocupada. Eu te observei tirar o branco gélido do pedaço de cerâmica quadrada, que me lembrou do meu banheiro e das suas cerâmicas amareladas de velhas, banhadas a água sanitária. Sou incrédula, você sabe, não podia tirar-me de mim mesma e não ser também naquela hora, quando você prometeu só mostrar seu trabalho, sem nos obrigar a pagar por ele. Tudo bem. Para quem atravessa parte da cidade todos os dias, é comum ter de pegar as mercadorias dos ambulantes, sem compromisso , só para devolver depois, sem pagar por elas. Então esperei e observei seus dedos grossos, nada delicados, pintando borrões de tinta no pedaço de cerâmica, formando uma coisa desforme, sem sentido algum. Embora a mistura da tinta vermelha com a tinta amarela conseguissem entregar algo bonito. Cravei ali minhas expectativas e não esperei por nada m...