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Mostrando postagens de julho, 2013

Hoje eu falei pra mim, jurei até, que esse não seria pra você, e agora é (Título com cara de Clarice)

E hoje é assim Eu canto, canto seu sorriso seu jeito livre de ser E daí eu me pergunto: você gosta de ler? Se a resposta for não, tudo bem, eu leio pra você E hoje é assim Eu ando atenta, atenta na chance de porventura Esbarrar em você do outro lado da rua

Epitáfio de alguém, alguém de apelido Francisco.

Lua bonita que banha esse céu escuro, diz pra mim, lua querida, de que é feito o mundo. Tu que vês tudo de cima, compreendes o fim? Do velho que sozinho mijou, caiu e com dor no peito largou a máquina-corpo ao relento, elevou sua alma ao céu? Eu vejo o mar e não vejo tudo, o fim é incerto lá no horizonte. Claro que há, mas não vejo onde ou quando. Qual o sentido dessa vida que hoje tem e num mau s úbito vai-se embora e ninguém sabe com quem? Hoje é, amanhã deixa de é. É propósito o erro para que veja além dele. Porque pior erro que morrer não pode haver na vida. No entanto, preocupo-me mais com os pormenores. Diga-me lua alta, como subo até ti e vejo o mundo além de mim? Vejo assim, alto, extenso e entendo fim. Eu espero, lua branca, que tua vida de glória tenha glória no fim. Que as estrelas digam a ti o tamanho da tua luz e que sem ti o mundo será esquisito. Morras sabendo que eram felizes por terem te visto vivendo. A morte é sempre isso, confusão.

É sempre sobre ela, ela que nunca chega e quando chega faz um estrago bom medonho! Inspiração.

Talvez ela não venha hoje, talvez nem amanhã. E ainda que falte não desisto do escrito. Forço, rendo, junto, crio palavras sem sentido que tragam razão ao que sinto. Porque tem que sair. De um jeito ou dois ou três. Continuo esperando que venha. E enquanto espero treino a palavra a existir. Porque inspiração é prêmio de quem lapidando o que pensa acha poesia. Ele está trabalhando na página há dias, parece nunca satisfeito, nunca pronto, nunca certo, nunca bom. Escreve, apaga e reescreve. Vai nesse ritmo e nunca avança. Pensa que nunca avança. Eu sei que avança. Porque escrever não é quantidade, é sentimento. Espero que trabalhe muito até que me aproxime. Ainda não é tempo de ir. Estou a poucos metros da escrivaninha. Sentado a passos de mim está o poeta. Martirizando-se entre versos desconexos que sozinhos são reais e parecem juntos não formar corpo que funcione. É alta madrugada e quase desiste se não fosse pelo gole de café fervendo que o mantem acordado. Mas a alma parece dormir, ...