Alegria na obediência: minha experiência com a igreja local

Alegrei-me quando disseram: "vamos à casa do Senhor" Salmo 122:1

Esse verso aprendi como um hino quando era criança e frequentava uma igreja batista tradicional bem conhecida em Recife. Lá cresci, submeti minha vida ao Soberano Senhor Jesus e tive os melhores anos de minha formação bíblica. Minha mãe costumava cantar o hino aos domingos, era a música de "vamos acordar? tem EBD hoje!".

Como filha de um casal de ministros, essa música deveria encher meu coração de convicção e alegria, no entanto, acordar cedo aos domingos, passar a manhã inteira na igreja, chegar em casa lá perto das 13h, não era meu cenário feliz dominical ideal. Eu ia emburrada mesmo, na maioria das vezes, com má vontade, preguiça e sono.

Nem mesmo depois da conversão e de experiências pessoais com o Senhor, ir à igreja despertava em mim o tipo de sentimento que o salmista descreve ao pensar em ir à Jerusalém, o lugar da habitação do Senhor, louvar a Deus em comunidade e com espírito de gratidão. Lembro de algumas vezes partilhar da alegria de ir, lembro de algumas vezes quando me senti parte do povo de Deus em um culto público cuja direção era gratidão, contrição, louvor e honra. Algumas vezes houve alegria real, prazer verdadeiro e pude recitar com convicção esse verso. Algumas poucas vezes.

Isso tenho dito ao Senhor há uns anos, Ele bem conhece meu coração e tem sido misericordioso em tratá-lo. E ao ouvir sobre minhas mazelas há acolhimento, graça e perdão, em nenhum momento o Senhor me rejeitou. Mas em nenhum momento, ao fim de nenhuma oração, concedeu carta branca do tipo "tudo bem, filha, entendo seus motivos, está a partir de hoje livre para não partilhar da vida comunitária entre a família da fé; está livre para deixar a igreja". Nunca.

Participar do povo de Deus, ter comunhão com a família da fé, não é facultativo, é necessário e imperativo. Faço parte da igreja de Cristo não porque morro de amor por ela, mas porque Jesus Cristo literalmente morreu em favor dela. Minha participação no corpo de Cristo não acontece porque todos os domingos me sinto tomada por prazer e animação, mas porque submeti minha vida a Jesus e Ele decidiu reunir Seus filhos em um corpo, a igreja. A alegria de participar não é porque há deleites e prazeres inenarráveis na vida comunitária, não, não mesmo, mas porque o amor de Deus por mim ensina meu coração a ama-Lo de volta e porque O amo, obedeço, nessa obediência sinto real alegria.

Não faço porque sinto. Não preciso sentir para obedecer. Preciso amar para obedecer e obedecendo sinto contentamento por ter paz com Deus.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Você precisa para de fugir do trabalho (parte 1)

Breves considerações sobre Paulo, o fazedor de tendas.