Nada a aprender

Tal docente disse em aula essa semana que nada aprendeu com a pandemia. Enfatizou o descontentamento e frustração com esse tempo de crise e tantas perdas. Anseia pela vacina e por finalmente poder se livrar dessa agonia toda. Não, nenhuma lição aprendeu com a pandemia; não, não há em absoluto nada acrescentado neste período. A situação é por si completamente inútil ao aprendizado e só se espera que acabe.

Para quem vive "debaixo do sol", como assim se expressa Emílio Garofalo, a realidade é um sistema fechado e não há nada para além do céu. Tal é a esperança perdida, como canta João Alexandre, de quem tem esperança apenas nessa vida. Que perdida alma essa que anda por aí encontrando significados escondidos em matérias de jornal, em outdoor de avenida, em programa de entrevista, em teoria acadêmica, em discurso de televisão, mas possui olhos cegos para o significado dos infortúnios, das pragas e dos tempos terríveis de guerra.

E que perdidas almas são aquelas cujas mentes conhecendo a Revelação Especial, negam a realidade dos infortúnios, das pragas e dos tempos terríveis de guerra. Aí de nós, propagadores da Lei do céu incapazes de vestir panos de saco e clamar por misericórdia e cura. Ai de nós e das nossas agendas imparáveis, dos nossos planos incanceláveis, dos nossos sistemas que não sabem o que é luto e lamento.

Os ímpios seguem nessa pandemia em impiedade e rebeldia, cegos e mancos, tragados pela desesperança de quem vive debaixo do sol. Os crentes vivem como se nada estivesse acontecendo, oram como quem acredita que a praga é culpa dos incrédulos, não como resposta do Justo a uma igreja pagã.

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