Seu planejamento financeiro para 2021 e a obra missionária

Faz tempo que não venho aqui, tentei algumas vezes mas foi improdutivo. Na esperança de chegar ao fim, inicio mais uma vez essa reflexão em forma escrita. De longe este é o lugar mais confortável da expressão, minha zona de aconchego. Onde a mente descarrega as ondas velozes nos dedos e por vezes até sai alguma coisa de proveito.

Bem, é Dezembro.

Em Dezembro começamos os planejamentos, digo começamos porque os meus vão até Janeiro. Para evitar grandes elucubrações vou me ater ao ponto gerador dessas meias palavras até aqui escritas.

Dinheiro, para o brasileiro, é uma matéria complicada, por diversas razões que exigiriam um tempo e esforço maiores para exposição. Como cristã penso nesta matéria como um ponto delicado cuja reflexão exige muita, muita desconfiança de mim mesma. Desconfiar de si mesmo: o teólogo e pastor Jonas Madureira reflete bem em seu livro Inteligência Humilhada sobre isso; indico. Desconfiar dos meus desejos de consumo, desconfiar da minha tendência ao acúmulo, desconfiar da minha organização e planejamento. Desconfiar de mim, das intenções e das práticas. Desconfiar das coisas que ando comprando e até das críticas feitas ao consumo alheio. Solomon (2016) diz que nossos hábitos de consumo nos ajudam a definir nosso lugar na sociedade e nos auxiliam a formar laços com outras pessoas. Eles não são neutros, nem inocentes, por mais bonzinhos e bem intencionados que pareçam, merecem um tico de reflexão desconfiada.

Pensar em planejamento financeiro passa por pensar nas nossas fugas consumistas, nas neuroses de consumo, nos padrões de compra, nos porquês dos gastos, nos objetivos finais dos bens adquiridos. Eles apontam para minha missão de vida? Apontam para o tipo de gente que almejo me tornar? Refletem o que é essencial e contribuem para o cumprimento da minha vocação? Planejamento financeiro passa por conseguir refletir sobre quais faltas eu só posso preencher visitando o mercado e quais faltas eu preciso aprender a preencher com devoção a Cristo, com amizades saudáveis, com hábitos mais inteligentes e significativos, por exemplo.

Pensando nessas coisas, gostaria de te encorajar, possível caro leitor. Encorajar você a incluir na sua organização financeira para 2021 uma caixinha chamada "Missões". Você pode amar a obra missionária, ser do tipo de gente empolgada com testemunhos e histórias, envolvido em campanhas de missões ou até um leitor de biografias de missionários. Você pode até ter a desconfiança de que tem um chamado missionário. Missões está na sua boca, vez por vez na sua lembrança, constantemente no seu feed. Mas está também no seu orçamento?

Investir em Missões não é adicionar um bem à sua cesta de compras. Não é como incluir um item na lista de desejos. Investir em Missões é inverter as prioridades. É ser lembrado todos os meses de que parte dos seus rendimentos servirá para o sustento de outra pessoa e não para a manutenção da sua própria vida. Investir em Missões não é fazer caridade, caridade é outra coisa.

Comprometa-se com Missões como você se compromete com o seu aluguel: ou você paga ou não terá um teto sobre sua cabeça. A obra missionária é urgente mas só soará realmente urgente ao seus ouvidos se seu coração estiver lá. E se seu coração está lá, seu bolso precisa estar também.

James K. A. Smith em seu livro Você é Aquilo que Ama diz assim: temos que desaprender os hábitos do consumismo para aprender a ser amigos (2017). Bem, talvez tenhamos que desaprender os hábitos do consumismo para, também, sermos mais assertivos e eficientes no avanço da obra missionária no Brasil e no mundo em 2021.

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