Quarentena dia 103
E se tudo acabasse amanhã? Pra quem tem tendência ao pessimismo e um apego ao sofrimento, de certo essa pergunta ronda o coração, ainda mais nesses dias difíceis de isolamento social, pandemia e desordem. Não poucas as noites a alma abatida pesa o sono, recorro ao Único, e Ele, mesmo quieto, gera consolo. E se tudo acabasse amanhã?
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A vida não é outra coisa senão conhecer a Deus, ser conhecido por Ele, honrar Seu Nome e servi-Lo. Não é definida pelos diplomas e conquistas, mas pela profundidade do relacionamento com Deus, que vai moldando a gente, transformando nosso caráter, reajustando nossas expectativas e definindo as prioridades à luz dos interesses de Deus, não dos nossos. Não é o conjunto dos erros e das burrices, nem é sobre nossa estupidez. É muito melhor definida pela extensão do perdão do Santo. É o quanto Sua Justiça alcança o estúpido e faz dele um sábio ensinável. A História e a vida jamais podem ser o resumo das nossas transgressões, elas cantam sobre a gloriosa bondade do Justo e riqueza de Sua Sabedoria. Ofuscam nossa pequenez e honram a Grandeza de Deus! A vida não é aquilo que vai acontecer após a Pandemia, mas o já em curso, acontecendo na gente e através da gente. É a firmeza da fé (no Criador), a expressão do amor (pelas pessoas), a inabalável esperança (na salvação provida pelo Senhor) nos pondo de pé dia após dia, e de joelhos noite após noite. E se tudo acabasse amanhã eu poderia louvar o Pai por cada pedido negado. Por cada oração estúpida não levada em conta. Por cada benção não pedida que simplesmente me veio à mão. Pelas tantas vezes que refez meu coração quebrado. Pela paciência em moldar meu espírito rebelde. Por ter envergonhado minhas honras. Por ter me dado sossego no meio de incertezas. Se tudo acabasse amanhã muitos sonhos estariam frustrados e muita coisa ficaria pela metade. Mas uma alegria indizível nasceria; veria o rei e o reino de justiça dele. E se tudo não acabar amanhã, será mais um dia sendo perseguida pela bondade do Único Bom.
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