Quarentena dia 47 | Julho 2015
Era 15 de Julho de 2015 e escrevi sobre crise na minha página de Facebook. Nunca publiquei o texto e hoje o encontrei. Iniciei citando um versículo querido lá de 2 Crônicas 20:12, bem próprio para tempos de crise, e segui refletindo sobre o assunto. Não lembro bem o que se passava à época, mas cá estamos e calhou bem, parece-me:
*
Às vezes não saber o que fazer é a melhor coisa que pode nos acontecer.
Não se trata de que Deus desenha cenários de crise, elas existem porque vivemos em um mundo falho. Deus não precisa forjar crises, a tais fazem parte da nossa realidade.
Porém, quando estamos vivendo um momento de crise desconhecida, passando por uma situação nunca vivenciada antes, recorremos ao sobrenatural, ao espiritual, àquilo que está acima de nós e é maior que nós, buscamos nisso as respostas; resposta mágica ou um milagre.
As crises nos causam ansiedade e aflição. As crises nos jogam na cara a verdade dura e cruel de que somos insuficientes, incapazes, limitados demais para dar conta de todas as nuances e reviravoltas nos cenários da vida. A crise nos lembra da limitação cognitiva para tomar a melhor decisão. Da limitação de recursos. Da brevidade e fragilidade da existência humana. E é na crise quando olhamos para Deus e, confiantes, queremos ouvir o seu conselho.
Não há nada de errado em buscar a Deus na crise, na verdade, é a melhor solução. Há, porém, de muito esquisito um padrão no comportamento do homem.
Em um cenário pós-crise acreditamos piamente que tomamos as rédeas do mundo, da vida e das situações. Agora sim, somos capazes de tomar nossas próprias decisões, cuidar do nosso futuro e fazer as escolhas que nos parecem mais cabíveis.
Talvez, se tirássemos Deus do lugar de "bombeiro", se parássemos de acreditar que ele é simplesmente o "apagador de chamas" da nossa vida, que ele se revela só na crise e age para impedir grandes tragédias, saberíamos que podemos viver tranquilos, nem um pouco ansiosos com o futuro, nem preocupados demais com o que comer, vestir ou onde morar. Saberíamos com muita convicção de que não precisamos correr tanto para solucionar nossa própria vida e aprenderíamos a cuidar mais do outro, porque teríamos a certeza de que Deus cuida até mesmo dos detalhes da nossa existência.
Seja do brigadeiro de panela que acalma nossa TPM, da namorada que parece vir de jegue, do emprego que parece ter virado espécie em extinção, ou até mesmo do filho tão esperado que de tão demorado parece que nunca vai nascer.
A companhia constante de Cristo nos dá chão firme, sono tranquilo, paz de espírito, ousadia e visão, na crise e principalmente quando parece tudo sob controle.
*
Quem seremos após a crise do Covid-19? Seremos tolos crédulos uma vez mais? Confiaremos de novo no autogoverno? Ainda invocaremos o Nome do Senhor como a Fonte última, única e suficiente de todas as coisas? Voltaremos ao "normal"?
*
"Não temos condições de enfrentar esse exército poderoso. Não sabemos o que fazer mas estamos olhando para o Senhor."
Às vezes não saber o que fazer é a melhor coisa que pode nos acontecer.
Não se trata de que Deus desenha cenários de crise, elas existem porque vivemos em um mundo falho. Deus não precisa forjar crises, a tais fazem parte da nossa realidade.
Porém, quando estamos vivendo um momento de crise desconhecida, passando por uma situação nunca vivenciada antes, recorremos ao sobrenatural, ao espiritual, àquilo que está acima de nós e é maior que nós, buscamos nisso as respostas; resposta mágica ou um milagre.
As crises nos causam ansiedade e aflição. As crises nos jogam na cara a verdade dura e cruel de que somos insuficientes, incapazes, limitados demais para dar conta de todas as nuances e reviravoltas nos cenários da vida. A crise nos lembra da limitação cognitiva para tomar a melhor decisão. Da limitação de recursos. Da brevidade e fragilidade da existência humana. E é na crise quando olhamos para Deus e, confiantes, queremos ouvir o seu conselho.
Não há nada de errado em buscar a Deus na crise, na verdade, é a melhor solução. Há, porém, de muito esquisito um padrão no comportamento do homem.
Em um cenário pós-crise acreditamos piamente que tomamos as rédeas do mundo, da vida e das situações. Agora sim, somos capazes de tomar nossas próprias decisões, cuidar do nosso futuro e fazer as escolhas que nos parecem mais cabíveis.
Talvez, se tirássemos Deus do lugar de "bombeiro", se parássemos de acreditar que ele é simplesmente o "apagador de chamas" da nossa vida, que ele se revela só na crise e age para impedir grandes tragédias, saberíamos que podemos viver tranquilos, nem um pouco ansiosos com o futuro, nem preocupados demais com o que comer, vestir ou onde morar. Saberíamos com muita convicção de que não precisamos correr tanto para solucionar nossa própria vida e aprenderíamos a cuidar mais do outro, porque teríamos a certeza de que Deus cuida até mesmo dos detalhes da nossa existência.
Seja do brigadeiro de panela que acalma nossa TPM, da namorada que parece vir de jegue, do emprego que parece ter virado espécie em extinção, ou até mesmo do filho tão esperado que de tão demorado parece que nunca vai nascer.
A companhia constante de Cristo nos dá chão firme, sono tranquilo, paz de espírito, ousadia e visão, na crise e principalmente quando parece tudo sob controle.
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Quem seremos após a crise do Covid-19? Seremos tolos crédulos uma vez mais? Confiaremos de novo no autogoverno? Ainda invocaremos o Nome do Senhor como a Fonte última, única e suficiente de todas as coisas? Voltaremos ao "normal"?
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