Quarentena Dia Quatro
Eu me lembro de quando me converti.
Tinha 9 anos e a lição da salinha de Escola Bíblica era sobre a morte de Jesus. Ouvi toda a lição, participei do culto dos adultos naquela manhã e voltei para casa com minha mãe e irmãos. Almoçamos juntos naquele dia, como todo bom domingo em família deve ser. A tarde estava no meu quarto sozinha, como de costume também, meus pais no quarto deles. Fui até lá, angustiada, triste, arrasada. Sentei na beira da cama e comecei a dizer "hoje eu me converti". Eu lembro de tentar engolir o choro enquanto contava para eles sobre minha decisão naquela manhã, um tanto envergonhada por já ser tão grande (9 anos e me achava gente grande!) e só agora ter tomado aquela decisão. Mas é que, eu contava, naquele dia tinha entendido o que Jesus havia feito naquela cruz. Era como se eu tivesse quebrado um objeto importante em casa e posto a culpa no meu irmão do meio, ele ia apanhar no meu lugar e aquilo não era justo. Eu pequei diante de Deus, não era justo que Jesus apanhasse e morresse por mim, eu tinha de arcar com meu pecado! Mas nem tive a chance! Ele já tinha feito o sacrifício e agora não havia nada que eu poderia fazer senão devolver a vida que Ele me deu. Minha conversão não foi bonita e cheia de sentimentos agradáveis, foi um dia de intenso constrangimento, inadequação, vergonha e injustiça. Deus havia me colocado numa tremenda saia justa e eu não tinha para onde ir. Foi assim: me converti.
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Entre tantas coisas que poderia discorrer sobre conversão uma delas tem me feito pensar mais a respeito. Inclusive esse texto é fruto de um tweet que liberou o gatilho para finalmente sentar e escrever; apesar de estar agora deitada no quarto escuro pronta para dormir. O tweet era sobre "Deus não ter obrigação de fazer a gente feliz e nos dar o que Ele nunca prometeu que nos daria".
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Bem, nessa caminhada de 16 anos de vida cristã, posso olhar pra trás e notar algo interessante sobre o significado de "converter-se". Prefiro dizer "submeter-se ao governo soberano de Deus", embora o termo "conversão" seja apropriado e riquíssimo, gosto do segundo por parecer mais explícito seu significado. Submeter a vida ao governo de Deus, representado e percebido da melhor forma, na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo de Nazaré, tem a ver com reconhecer diante de Deus o direto dEle ser Deus, isto é, Rei, Senhor, Soberano. A conversão não é uma experiência de paixão avassaladora, dessa que chega sem pedir licença, sem avisar, como canta o querido Lenine. É mais uma experiência marcada pelo reconhecimento da nossa indignidade e perversidade diante de um Deus Digno e Santo por excelência, cujo caráter lhe confere o direito de nos esmagar, mas esse mesmo caráter, em amor e graça, nos toma para Ele mesmo como filhos amados. Ao reconhecer diante dEle todos os direitos dEle sobre nós, escancaramos as portas do nosso futuro para a Sua vontade ser feita. Isso significa dizer: Deus fará de nós e através de nós o que bem entender.
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Há pouco mais de um mês conversava com um amigo sobre um tal acordo entre eu e Deus, dizendo "não, isso não vai acontecer, eu já combinei com Jesus". Ele riu na minha cara e disse "homi, é perdido fazer acordo com Deus, ele só faz o que quer". E é a mais pura verdade! O acordo travado entre nós partiu de mim, o Senhor jamais o confirmou (bem pelo contrário!) e não importa o quanto tente persuadir o Santo a perceber a lucidez do meu argumento, Ele não se importa. Ele está ocupado em executar os Seus próprios planos e não me pediu ajuda para projetar nenhum deles. Isso pode parecer rude, mas é a única coisa sensata a ser feita por um Deus onisciente, diante de uma mente limitada querendo assessorá-lo.
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Converter-se a Cristo, submeter-se ao Governo de Deus ou ser discípulo de Jesus é, na prática, viver a vida projetada por Ele, do jeito dEle, caminhando pelas estradas da escolha dEle. É sobre Deus ter todos os direitos sobre mim. Isto é difícil de escrever e mais ainda difícil de viver, principalmente quando já se tem em mente, com clareza, para onde esse querer dEle está apontando. A grande questão, caro leitor, a grande questão nisso tudo é que não há alternativa. Se fugimos do Senhor não há paz. Se ignoramos Sua persistente voz não há paz. Não há para onde ir, nós sabemos e Ele bem o sabe também. O desafio é deixar Deus ser Deus, desistir da inquietação fruto da fuga, submeter a vida ao direcionamento de Quem conhece todas as coisas.
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O que faremos após a Quarentena? Ajustaremos a agenda à agenda do Soberano.
Tinha 9 anos e a lição da salinha de Escola Bíblica era sobre a morte de Jesus. Ouvi toda a lição, participei do culto dos adultos naquela manhã e voltei para casa com minha mãe e irmãos. Almoçamos juntos naquele dia, como todo bom domingo em família deve ser. A tarde estava no meu quarto sozinha, como de costume também, meus pais no quarto deles. Fui até lá, angustiada, triste, arrasada. Sentei na beira da cama e comecei a dizer "hoje eu me converti". Eu lembro de tentar engolir o choro enquanto contava para eles sobre minha decisão naquela manhã, um tanto envergonhada por já ser tão grande (9 anos e me achava gente grande!) e só agora ter tomado aquela decisão. Mas é que, eu contava, naquele dia tinha entendido o que Jesus havia feito naquela cruz. Era como se eu tivesse quebrado um objeto importante em casa e posto a culpa no meu irmão do meio, ele ia apanhar no meu lugar e aquilo não era justo. Eu pequei diante de Deus, não era justo que Jesus apanhasse e morresse por mim, eu tinha de arcar com meu pecado! Mas nem tive a chance! Ele já tinha feito o sacrifício e agora não havia nada que eu poderia fazer senão devolver a vida que Ele me deu. Minha conversão não foi bonita e cheia de sentimentos agradáveis, foi um dia de intenso constrangimento, inadequação, vergonha e injustiça. Deus havia me colocado numa tremenda saia justa e eu não tinha para onde ir. Foi assim: me converti.
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Entre tantas coisas que poderia discorrer sobre conversão uma delas tem me feito pensar mais a respeito. Inclusive esse texto é fruto de um tweet que liberou o gatilho para finalmente sentar e escrever; apesar de estar agora deitada no quarto escuro pronta para dormir. O tweet era sobre "Deus não ter obrigação de fazer a gente feliz e nos dar o que Ele nunca prometeu que nos daria".
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Bem, nessa caminhada de 16 anos de vida cristã, posso olhar pra trás e notar algo interessante sobre o significado de "converter-se". Prefiro dizer "submeter-se ao governo soberano de Deus", embora o termo "conversão" seja apropriado e riquíssimo, gosto do segundo por parecer mais explícito seu significado. Submeter a vida ao governo de Deus, representado e percebido da melhor forma, na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo de Nazaré, tem a ver com reconhecer diante de Deus o direto dEle ser Deus, isto é, Rei, Senhor, Soberano. A conversão não é uma experiência de paixão avassaladora, dessa que chega sem pedir licença, sem avisar, como canta o querido Lenine. É mais uma experiência marcada pelo reconhecimento da nossa indignidade e perversidade diante de um Deus Digno e Santo por excelência, cujo caráter lhe confere o direito de nos esmagar, mas esse mesmo caráter, em amor e graça, nos toma para Ele mesmo como filhos amados. Ao reconhecer diante dEle todos os direitos dEle sobre nós, escancaramos as portas do nosso futuro para a Sua vontade ser feita. Isso significa dizer: Deus fará de nós e através de nós o que bem entender.
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Há pouco mais de um mês conversava com um amigo sobre um tal acordo entre eu e Deus, dizendo "não, isso não vai acontecer, eu já combinei com Jesus". Ele riu na minha cara e disse "homi, é perdido fazer acordo com Deus, ele só faz o que quer". E é a mais pura verdade! O acordo travado entre nós partiu de mim, o Senhor jamais o confirmou (bem pelo contrário!) e não importa o quanto tente persuadir o Santo a perceber a lucidez do meu argumento, Ele não se importa. Ele está ocupado em executar os Seus próprios planos e não me pediu ajuda para projetar nenhum deles. Isso pode parecer rude, mas é a única coisa sensata a ser feita por um Deus onisciente, diante de uma mente limitada querendo assessorá-lo.
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Converter-se a Cristo, submeter-se ao Governo de Deus ou ser discípulo de Jesus é, na prática, viver a vida projetada por Ele, do jeito dEle, caminhando pelas estradas da escolha dEle. É sobre Deus ter todos os direitos sobre mim. Isto é difícil de escrever e mais ainda difícil de viver, principalmente quando já se tem em mente, com clareza, para onde esse querer dEle está apontando. A grande questão, caro leitor, a grande questão nisso tudo é que não há alternativa. Se fugimos do Senhor não há paz. Se ignoramos Sua persistente voz não há paz. Não há para onde ir, nós sabemos e Ele bem o sabe também. O desafio é deixar Deus ser Deus, desistir da inquietação fruto da fuga, submeter a vida ao direcionamento de Quem conhece todas as coisas.
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O que faremos após a Quarentena? Ajustaremos a agenda à agenda do Soberano.
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