A quem amamos

Minhas entranhas o amam
Meus olhos o perseguem
Minhas mãos estão secas
e não há o que possa satisfazê-las

Não é essa sequidão pior que todas as outras?

Autocondenação tal distância
Saciedade mentirosa provo na sua ausência
Não há provisão, não há provisão
Desespero me cega e me quebra
Sou ovelha entre espinhos
Perdida e berrante
Até na espinha sinto calafrio

Sua ausência esmaga a esperança
Culpa minha, total rebeldia
Criatura desprovida de empatia
Plantando morte onde podia brotar vida
Berro e espero; me ouves?

Já fui achada
nos espinhos e na vergonha
É sangue isso com que me lavas?

Por que estás tão abatida, minha alma?
Aquieta

Tua paga já está completa
Tuas vísceras contorciam na distância desatenta
Mas já agora tens casa, tens paz
Rende tua culpa ao perdão
Aceita do Eterno a consolação

Por que estás tão abatida, minha alma?
Tens a Cristo
Ele a tem
Isso tem de ser suficiente
Para alegria e para dor
Para vida e para morte
Alegre-se no colo do Senhor
Abandone nele
por hoje e para sempre
sua inútil dor

Menina, tem calma
Lembre do amado de sua alma
Observe
Você ainda pode louvá-lo!

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