Quem pode conectar

Você até pode, mas não precisa e não deveria sofrer por alguém que não te respeita, não enxerga valor nas suas palavras, opiniões e posicionamentos, nem nos seus gostos e preferências, ainda que sejam esquisitas às preferência dele. Você não deveria chorar por alguém que grita, ameaça, xinga e menospreza você. Você não devia rir das piadas que te colocam para baixo, nem pagar na mesma moeda, fazendo piadas que o agridam um pouco, só para tentar equilibrar a equação. Certifique-se de sempre fazer pagas de amor, nunca pagas de dor. Se essa relação te incentiva a pagar em uma moeda sem virtude, então, talvez, não seja uma relação tão boa assim. Você não devia chorar por quem tem preguiça em te servir, mas está sempre disposto a ser servido. Não devia lamentar a distância de quem conseguia distorcer toda alegria de um encontro a dois. Você não devia chorar por quem acreditava saber todas as respostas ao seu respeito, sem nunca ter te perguntado coisa alguma. Não devia chorar por quem te via como um enfeite bonito para a foto, para o feed, para a família. A essa altura você já podia ter descoberto do que é feita uma relação.

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Mulheres Feministas estariam de acordo com o dito acima, posso vê-las com um sorriso tímido no rosto. Tímido porque não sou feminista e, ainda assim, discursei sobre algo que as toca positivamente. Feministas acreditam que mulheres empoderadas, cientes de seus direitos, de seu valor inerente, de sua posição igualmente valiosa em relação aos homens, não deveria submeter as emoções à falta de um embuste"Mulheres Femininas" (roubando o termo difundido entre evangélicas anti-feminismo -  aliás, um termo que me parece provocativo até, uma vez que poucas mulheres estão familiarizadas com a feminilidade bíblica e parecem utilizar o termo só para indicar que recorrem constantemente à depilação e sabem fazer torta) estariam de acordo também, afinal, homens não deveriam pisar e maltratar suas companheiras, antes porém, como líderes de seus lares, deveriam garantir o bem estar delas.

Mulheres amantes de Jesus concordariam com ambos os grupos, mas sentiriam falta de algo a mais. 

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Mulheres amantes de Jesus acreditam na importância feminina, estão cientes de seus direitos e deveres (Feministas falam bem sobre direitos, "Femininas" falam bem sobre deveres, guarde esse adendo), se compreendem como alguém de valor, não, porém, valor inerente, mas valor a partir de. 

Maria João 12 foi 'empoderada' diante dos homens não via auto-promoção, não outorgando seu direito de estar perto de Jesus, mas foi empoderada ao pegar algo de muito, muito valor financeiro e, em um ato de liberdade, gastar todo o dinheiro empregado naquele frasco de perfume, na cabeça de Jesus. Ela empoderou-se, apropriando-se do próprio bem e dizendo à sociedade


'não usarei isso como o mercado diz que devo, nem como os homens da religião dizem que devo, usarei isso como meu coração diz que devo' 
(interpretação minha, isso não está escrito no texto bíblico)

e serviu Jesus de um jeito perturbador (aos outros) e apaixonado. Maria não tinha muito valor (como pessoa, diante dos outros) nem mesmo portando um frasco de perfume caríssimo, mas teve valor ao tornar-se aquela que preparou o corpo de Jesus para o episódio crítico de sua morte. Mulheres amantes de Jesus estão tão convencidas do próprio valor e tão libertas da busca pela valorização externa que não é preciso dizer-lhes mais nada. O valor delas é objetivo e real, não uma ideia que pode ser desmantelada. Elas são interiormente empoderadas. Apesar de viverem sob circunstâncias ameaçadores, seus corações e mentes são livres. Esse é o tipo de liberdade que Jesus trouxe às mulheres que o conheceram, tocaram e falaram com ele. Ainda debaixo de um Estado autoritário e violento, Jesus concedeu poder de dentro para fora, não por causa delas, mas por causa de quem ele é; o Filho de Deus, o Dono de tudo. Ele disse que elas importavam e elas acreditaram, isso foi suficiente, do ponto de vista pessoal. 

Isso é importante de frisar porque a fé cristã propaga Deus como alguém pessoal, não uma divindade distante, impessoal e estranha, mas alguém que se relaciona. Desse modo, através de um relacionamento pessoal com Jesus, uma mulher tem sua autoestima, seu senso de valor e importância, restaurados, porque Jesus diz que a ama, Jesus diz se importa, Jesus diz que ela tem valor; e ela acredita. E isso muda tudo dentro dela!

Mulheres amantes de Jesus compreendem que essa mensagem é necessária aos ouvidos das outras mulheres e farão de tudo para aproximar o máximo de mulheres possível à verdade sobre quem Jesus é, o que ele fez e o que ele pensa a respeito delas. Mas elas também sabem que não podem fazer isso de cima de um palanque, tentando conquistar os ouvidos de multidões e acabar com a violência nos lares brasileiros pela conversão em massa de uma sociedade. Porque mulheres amantes de Jesus entendem que a fé é um caminho traçado entre uma pessoa e o Espírito Santo; ninguém pode controlar o tempo exato do confronto arrebatador entre um pecador e o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, o Homem. Por isso, mulheres amantes de Jesus entendem a importância de políticas públicas de prevenção e reparação de violência contra mulheres.

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Mulheres amantes de Jesus veem valor nos contratos, respeitam e honram palavras. Raabe Josué 2 compreendia o valor de um acordo, não porque acreditava nos espiões enviados por Josué, homens desconhecidos e invasores de sua cidade, ela acreditava no Deus (também ainda desconhecido por ela) poderoso o suficiente para tirar uma multidão do Egito, passar todos pelo meio do mar, conservar o povo vivo e conceder vitória sobre outros exércitos. Provavelmente Raabe disse a si mesma


"quero um acordo com esse Deus, quero a proteção dele".

Uma Mulher Feminina entende o valor de promessas. Ela enxerga importância nos votos matrimoniais, na aliança usada no anelar, ela sente um certo incômodo ao ouvir a palavra do noivo "assim que der a gente casa" porque, na realidade, elas sabem que essas palavras não possuem muita força de acordo, promessa e efetividade. Mulheres femininas amam casamentos, amam alianças, amam promessas e enxergam valor na solidez disso tudo.

Mulheres amantes de Jesus compreendem a ação nefasta do pecado na vida de um homem, elas estão tão convencidas de que todos nós pecamos e vivemos em um luta contra nós mesmos que não podem nutrir esperanças em uma liderança masculina ideal. Elas esperam sempre o bem de seus parceiros, mas compreendem que uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, terão de encarar seus fantasmas. Elas estariam de acordo de que você não deveria chorar por quem te maltrata e depois perde perdão, em um círculo vicioso de violência, porque elas compreendem que um homem que constantemente abre mão de sua posição de servo dentro de uma relação, está, na verdade, rompendo votos, promessas, quebrando palavras. "Mulheres Femininas" podem ter dificuldades em romper relações porque amam mais a aliança que o Deus de Alianças. Elas podem cair na tentação de permanecer em uma situação de violência, incentivada por sua teologia mal compreendida.

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Para mim o principal problema da violência contra a mulher não consiste na falta de política pública, temos avançado nesse aspecto (e precisamos avançar mais). O principal problema é a falta de denúncia, a omissão, é quando acobertamos a violência. É quando uma mulher violentada tem medo, dependência financeira ou dependência emocional do parceiro. Fazer essa mulher compreender que a situação a qual ela vive não é normal e não pode ser, sob qualquer argumento, admitida, é nosso principal desafio. Trocando em miúdos, convencer a vítima de que ela é uma vítima. Parece ridículo, não é? Se você tiver a péssima oportunidade de conviver com uma mulher que sofre abusos na relação (com esposo, padrasto, pai, tio, vizinho) você vai saber como pode ser ridículo e doloroso.

Feministas e Femininas vão encontrar problemas na hora de emancipar tais pessoas. Se por um lado somos incentivadas a tomar as rédeas de nossa vida, sermos fortes e ousadas, do outro, somos incentivadas a achar um bom homem depois da última relação mal sucedida. Uma mulher que sofre violência devia ter outra alternativa além de aguardar pelo próximo relacionamento ou bastar a si mesma, com todo o trabalho de tirar-se do poço da autocomiseração e manter-se em um estado constante de autoestima, sugando forças da própria carne.

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Convergir grupos discordantes em prol de uma solução factível; está posto o desafio. Todas concordamos que mulheres não deviam chorar por homens violentos, deveriam, antes, denunciar seu parceiro ao primeiro sinal de violação de respeito. Concordamos que algo precisa acontecer para emancipar suas emoções à respeito de si mesmas e tirá-las do buraco da autopiedade, autocomiseração e co-dependência. Só não estamos de acordo com os pressupostos, nem com a escatologia.

Feministas e Femininas dificilmente conseguirão estabelecer um acordo de paz para a construção de uma solução. Partindo do pressuposto de que as mulheres realmente preocupadas com o problema da violência, não desejam que as soluções sejam discutidas, propostas e votadas por um assembleia somente de homens (por mais virtuosos que sejam), ou seja, elas desejam contribuir para soluções, acredito que o único elo de convergência entre os grupos de interesse sejam as mulheres amantes de Jesus. Alguém que consegue enxergar o melhor dos dois mundos, digamos assim. Cujo coração não está comprometido com nenhum dos dois lados.

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Tratar de tal questão de ordem privada, trazendo para o âmbito público, como algo de interesse público, no sentido de criar políticas efetivas de solução da questão, requer o esvaziamento de qualquer tipo de apologia a nossa própria ideologia, permitindo o debate da questão pública com interesses meramente públicos e não com o interesse de agregar pessoas à minha militância ou fé religiosa. Uma mulher não precisa se converter à sua fé, nem virar membro da sua militância, para ser socorrida no conflito dela. Ela tem uma necessidade e precisa ser atendida nessa necessidade. Por mais progressista ou conservadora que seja sua posição. Sendo samaritana ou judia, cristã ou pagã, esquerdista ou direitista. Não precisamos da adesão dela a nada, tão somente organizar meios de emancipá-la. Como cristãos fazemos isso não para que ela se torna cristã, mas porque ela é gente e a gente detesta ver gente desprovida de dignidade humana; a gente ama a dignidade. Irmãs, a ideia de dignidade humana veio antes do marxismo, não vamos abrir mão dessa bandeira genuinamente nossa. É pela dignidade das mulheres. Concedam dignidade e escancarem no discurso:


"É pela dignidade das mulheres, é porque Deus ama a dignidade"

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Se nada do que foi dito te fez bem ao coração, peço perdão, não era a intenção. Apaga o que leu e segue em frente. 

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