Balanços e ano novo
Fazer balanços é um exercício de tentar entender as intervenções milagrosas do Senhor na nossa rotina, das escolhas corretas e equivocadas que fizemos ao longo do caminho. Onde acertamos, onde erramos, onde fomos disciplinados, onde fomos treinados, onde recebemos mais que o merecido e onde obtivemos resultados esperados de acordo com nossos reforços. O que fizemos e o que queremos fazer ainda. Balanços. Fazendo balanços de 2018 e pensando nas resoluções para 2019, lendo o último livro para esse ano e planejando as leituras para o próximo, tenho um encontro com Isaque. Aquele mesmo, filho de Abraão, irmão de Ismael, pai de Israel, esposo de Rebeca, herdeiro da promessa feita a Abraão. O rapaz quase entregue em sacrifício quando ainda era um menino, tem sua história brevemente contada em alguns capítulos do livro de Gênesis. Poderia ter me encontrado com ele antes? Sim, poderia. Mas não teria o impacto que teve agora.
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O menino Isaque aprendeu desde muito cedo sobre o Deus da providência. Primeiro, Deus providenciou um herdeiro, um filho aos seus pais, um casal de idosos, em uma gravidez humanamente improvável. Depois, Deus providenciou um animal para ser sacrificado em holocausto, lá no alto do monte Moriá, em seu próprio lugar. Então, Deus providenciou uma esposa para ele, uma moça trabalhadora pra caramba, linda, corajosa e obediente a Deus, enquanto ele saiu para meditar no campo (marminhagente). Agora Deus continua prometendo uma descendência, uma família grande, impossível de contar, Deus promete abençoá-lo. Mais ainda, Deus promete a si mesmo, a própria companhia. O problema é que Isaque tinha a herança do pai, tinha família, tinha servos, tinha a companhia de Deus, mas na terra onde habitava não tinha chuva. Sem chuva, sem colheita, sem alimento. No Egito tinha água. Em Gerar tinha fome.
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O menino Isaque aprendeu desde muito cedo sobre o Deus da providência. Primeiro, Deus providenciou um herdeiro, um filho aos seus pais, um casal de idosos, em uma gravidez humanamente improvável. Depois, Deus providenciou um animal para ser sacrificado em holocausto, lá no alto do monte Moriá, em seu próprio lugar. Então, Deus providenciou uma esposa para ele, uma moça trabalhadora pra caramba, linda, corajosa e obediente a Deus, enquanto ele saiu para meditar no campo (marminhagente). Agora Deus continua prometendo uma descendência, uma família grande, impossível de contar, Deus promete abençoá-lo. Mais ainda, Deus promete a si mesmo, a própria companhia. O problema é que Isaque tinha a herança do pai, tinha família, tinha servos, tinha a companhia de Deus, mas na terra onde habitava não tinha chuva. Sem chuva, sem colheita, sem alimento. No Egito tinha água. Em Gerar tinha fome.
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"Não desça ao Egito. Fique na terra que eu lhe indicar. Habite nela, e eu estarei com você e o abençoarei" Gênesis 26:2,3. No Egito tinha água e condições favoráveis para plantio e colheita. Em Gerar tinha seca. Lugar difícil para colher e alimentar a família e os servos. Em tempos de sequidão as pessoas procuram abrigo em terras férteis. Seja lá qual for a sequidão, em algum lugar há de ter abundância dos recursos faltosos. Atentando contra a lógica natural, Isaque permanece em Gerar. É difícil pensar como pensa um camponês ou mesmo imaginar como essa passagem soaria no coração de nordestinos que convivem com a seca. O máximo que posso fazer é ler essa passagem como uma cidadã urbana. Pensando como uma cidadã urbana, mais uma vez fui lembrada do fato inquietante de que nenhum resultado provém do meu esforço, nem das condições locais, provém de Deus. Apesar da seca, Deus decide abençoar. Como manterei minha família se não consigo alimento no meio na falta de água? Vamos todos morrer se ficarmos aqui. Diria Isaque. Não vão não, eu estarei com você e o abençoarei. Nesse momento específico te oriento a não utilizar a lógica humana, dada por mim, para obter o resultado desejado, eu vou abençoa-lo à despeito das más condições. Eu sou o Senhor. Diria Deus.
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Em um primeiro momento me questionei se esse tipo de passagem não envergonha a própria criação de Deus, uma vez que a lógica natural é posta de lado como se não tivesse serventia. Como se todo o recurso cerebral humano tivesse de ser recusado e agora vamos apelar apenas para oração e esperar que Deus providencie, sem utilizar nossa capacidade de pensar e decidir. No segundo momento pude enxergar um tantinho melhor. Deus permite que Isaque pondere a situação e tome uma decisão lógica, adequada e prudente. Ele de fato decide ir embora daquela terra, como fez seu pai antes. No último momento Deus interfere. Não seria a primeira vez em que Deus interferiria no último momento. Se Deus não tivesse interferido, Isaque poderia ir para o Egito e Deus abençoaria sua família lá, como de fato fará na próxima geração, com Jacó. A família de Jacó será abençoada e se estabelecerá lá, também em tempos de seca, usufruindo da riqueza do Egito com José. Pensar nesse todo me fez refletir; Deus decidiu nos abençoar, independente do lugar. Se vamos submeter nossa lógica limitada à lógica ampla e perfeita dele, ou se vamos agir de acordo com nossa lógica humana, vai depender do que Ele deseja realizar, porque no fim das contas, os resultados sempre virão dele. Às vezes com nosso meio de pensar e decidir, que nos parece corretíssimo e mais tarde somos surpreendidos como aquela decisão trouxe desdobramentos positivos não planejados. Às vezes com o meio dEle decidir, por vezes difícil de entender, por vezes fugindo à lógica humana limitada. Logo, independente da seca, das dificuldades, das faltas, o Deus do resultado decidiu abençoar Isaque em Gerar e nos abençoar, independente do lugar porque Ele está em todo lugar. Nossa prosperidade, em qualquer área da vida, não depende das circunstâncias, depende de Deus. Por isso, se Ele mandar a gente ficar na terra seca, porque é lá que Ele quer nos abençoar, lá ficaremos e lá seremos abençoados.
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"Isaque semeou naquela terra" Gênesis 26:12. Como que semeia em terra seca, em lugar que não chove? Isaque semeou. Semeou, colheu e enriqueceu mais que outros homens habitantes da região. Ele não tinha boas condições e a ciência de sua época sabia da dependência da chuva para obtenção de uma boa colheita. Isaque tinha sementes check tinha uma promessa check não tinha chuva error. Ele agiu de acordo com o que eu chamo de risco calculado. De três variáveis duas estavam ao seu favor. Não plantar era certeza de fome e Deus, até então, não prometera enviar comida do céu. Plantar e perder todas as sementes, por falta de chuva, era certeza de fome igual. Isaque decidiu caminhar. Ele tinha de ficar naquela terra e não cederia à ociosidade, o único movimento possível era andar para frente e andar para frente era semear em terra seca. Os recursos dele não eram ilimitados, assim como os nossos também não são. Quase sempre a gente tem poucas coisas nas mãos, principalmente em tempos de sequidão. E como é difícil colocar esses recursos para jogo quando temos medo de perdê-los ao semeá-los em terra árida! Quase sempre optamos pela ociosidade ao invés de optar pelo risco calculado. Assim como Isaque nós sempre teremos alguma semente nas mãos, temos as promessas de Deus e sempre teremos condições ruins amedrontando nosso coração. O que vai determinar nosso futuro é a ousadia de fazer o que a gente pode fazer Eclesiastes 9:10 e confiar os resultados a Deus. Isaque tinha limitações para agir, ele não podia ir buscar recursos no Egito, teria de permanecer em Gerar, não só permanecer, gerar recursos para alimentar sua gente. Diante das limitações, promessas e recursos, ele age, como um bom administrador, Isaque age. Salomão conseguiu condensar a atitude positiva de Isaque em uma frase, que só nesse final de ano conseguiu fazer sentido, um pouco mais amplo, na minha cabeça: quem observar o vento não planta e quem olha para as nuvens não colhe Eclesiastes 11:4. Interessante que ventos e nuvens mudam, as condições externas se alteram de um instante para o outro, aparentemente ele se apegou ao Deus do seu pai, um Deus que até então não tinha apresentado sombra de mudança e inconstância.
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"Ele voltou a abrir os poços cavados no tempo do seu pai Abraão" Gênesis 26: 18. Por fim, Isaque começa a restaurar poços antes cavados por Abraão, enterrados pelos filisteus. Poços de água poderiam garantir sobrevivência em tempos sem chuva. Ao restaurar os poços ele nomeia cada um com os mesmos nomes dados por Abraão anteriormente. Esse poços me fizeram pensar em duas coisas. Âncoras e Legado. A vida todinha da gente é marcada por tempos de aperreios, Deus nos encontra, muda nossa sorte, restaura nossa paz e nossa esperança, nos põe em pé e nos faz caminhar de novo. Aí... a gente esquece. O tempo põe terra. O tempo explica de maneira racional o ocorrido. O tempo nos dá a sensação de sermos fortes e inabaláveis por causa do nosso carisma, beleza, atitude, inteligência. A gente esquece das nossas âncoras, das nossas experiências com o Senhor. No entanto, a gente precisa voltar aos poços antigos se quiser manter a sanidade, o equilíbrio e a firmeza de caráter. Voltar nesses tempos onde vivemos experiências de provisões com Deus, dar nomes a essas experiências e não deixar que os 'filisteus' criativos do nosso dia a dia ponham terra na nossa história, apaguem da nossa memória ou consigam racionalizar demais, enxotando a beleza do momento e da ação da mão de Deus. Também me fez pensar em Legado. A gente termina se colocando como o centro do mundo, o início, fim e razão da nossa própria história quando ignoramos os legados dos nossos pais, dos ícones da nossa área de atuação profissional ou dos homens e mulheres que fizeram teologia antes da gente. Abraão deixou um legado de teologia, profissão, paternidade e humanidade para Isaque. Voltar aos poços era relembrar o fato de que a vida dele (de Isaque) estava contando - não a história de Abraão nem sua própria história mas - a história de Deus. Um Deus pouco conhecido naquela região, o Deus do seus pais, o Deus de uma promessa gigante cuja realização estava sendo lenta mas constante. Isaque precisava de legado para persistir. A gente precisa também.
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Às vezes é tempo de mudar de endereço, às vezes é tempo de permanecer em terra seca. Sempre será tempo de agir da melhor maneira possível e entregar a Deus as honrarias pelos resultados obtidos. Levando com a gente a convicção de que o sucesso não é fruto das condições perfeitas, mas da presença de Deus e das nossas decisões. Há coisa demais a colher, Deus está conosco.
Que boa notícia de ano novo!
Feliz 2019
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Às vezes é tempo de mudar de endereço, às vezes é tempo de permanecer em terra seca. Sempre será tempo de agir da melhor maneira possível e entregar a Deus as honrarias pelos resultados obtidos. Levando com a gente a convicção de que o sucesso não é fruto das condições perfeitas, mas da presença de Deus e das nossas decisões. Há coisa demais a colher, Deus está conosco.
Que boa notícia de ano novo!
Feliz 2019
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