Carta

17 de Dezembro às 6:04h

Não se engane, até eu me perguntava se era possível tal infortúnio. Contos bobos de gente desocupada, era o que sempre me pareceu. Até ser também tragada. E a esse monstro que mais acalenta que assombra devo todos os sonetos, todos os versos, todos os sonhos. Devo o mais querido pensamento forjado em alta madrugada por um coração apaixonado

17 de Dezembro às 6:28h

Não pense que é sem pensar nem pesar que traduzo em letras a inquietação que se abate sobre a alma. Então, suplico: piedade! Suplico piedade em apressar-se na resposta. Na resposta, no julgamento, no desdém. Piedade ao dizer "não é possível haver". Pensando mais um pouco, talvez, até pode ser, que... quem sabe, haveria de ser, um dia. Se puder. Pense bem. Sinta melhor. Pondere tudo. Mas se ao ponderar ainda não puder ser, bem, pondere ainda melhor

17 de Dezembro às 8:32h

Não é sem temor que ponho meu rei frente à sua rainha num tabuleiro vazio. Resta orar aos céus. Talvez a rainha seja bondosa e deixe meu rei viver ao seu lado; ou à sua sombra. À sua sombra já está de bom tamanho. Com isso quero dizer - antes de tudo, não tive culpa, nem sabia ser possível. Mas, vejo, bem... É improvável! É improvável! Talvez nem tanto, espero que entenda; espero que possa

17 de Dezembro às 11h

Soubemos à pouco da sua chegada nos próximos meses. Papai e mamãe convidam-o para visitar-nos, quando os preparativos para o casamento derem brecha de fuga para uma conversa rápida, e um café doce. Não se fala outra coisa na cidade além da beleza estonteante da noiva. Papai e mamãe enviam-lhe felicitações e ficam contentes com a escolha; parece ser boa moça. Quanto ao mais, esperamos vê-lo em breve. 

De sua querida prima, 

Sofi.

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