Ah, os casamentos!
A igreja estava cheia, os convidados todos tinham chegado. O noivo prontamente nervoso no altar. O padre entendiado de tanto esperar. O pai da noiva com cara de poodle carente. O pai do noivo em euforia carnavalesca. Os primos do noivo apostando se ele teria mesmo coragem de casar-se com uma mulher. A mãe da noiva preocupada em o neto nunca chegar. A mãe do noivo de peito aliviado, calando as más bocas insistentes das tias. As tias velhas ainda na dúvida sobre a macheza do rapaz. O irmão da noiva com cara de quem quer chorar, dando pinta, ao lado da esposa, em pleno altar. Os convidados contidos em risos, de olhares curiosos e especulativos. A mãe da noiva aperreada de esperar entra pelos fundos da igreja afim da filha apressar. Não muitos minutos se passam; um sinal mal interpretado dá motivo pra trilha sonora iniciar o espetáculo. Valsa nupcial! Todos de pé! Vai acontecer! Moças emocionadas limpam as lágrimas. Pais de solteiras encalhadas elevam aos céus causas perdidas. Rapazes noivos desejam adiar seu dia. As portas grandes de madeira começaram a separar-se, a luz do sol chega rápido ao altar. O padre franziu a testa em sinal de desconforto, elevou sobre os olhos o antebraço e sua careca iluminou-se. Todo o altar desviou as cabeças para o lado fugindo da luz forte. A moça de branco invisível às vistas de todos. Seu véu estava caído sobre o rosto. Lá de dentro vem correndo a mãe, surtada - A noiva sumiu!
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