Epitáfio de alguém, alguém de apelido Francisco.
Lua
bonita que banha esse céu escuro, diz pra mim, lua querida, de que é
feito o mundo. Tu que vês tudo de cima, compreendes o fim? Do velho que
sozinho mijou, caiu e com dor no peito largou a máquina-corpo ao
relento, elevou sua alma ao céu? Eu vejo o mar e não vejo tudo, o fim é
incerto lá no horizonte. Claro que há, mas não vejo onde ou quando. Qual
o sentido dessa vida que hoje tem e num mau súbito
vai-se embora e ninguém sabe com quem? Hoje é, amanhã deixa de é. É
propósito o erro para que veja além dele. Porque pior erro que morrer
não pode haver na vida. No entanto, preocupo-me mais com os pormenores.
Diga-me lua alta, como subo até ti e vejo o mundo além de mim? Vejo
assim, alto, extenso e entendo fim. Eu espero, lua branca, que tua vida
de glória tenha glória no fim. Que as estrelas digam a ti o tamanho da
tua luz e que sem ti o mundo será esquisito. Morras sabendo que eram
felizes por terem te visto vivendo.
A morte é sempre isso, confusão.
A morte é sempre isso, confusão.
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